sexta-feira, 30 de abril de 2010

Acomodação...

"[...]A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá..."*

Em tempos mais difíceis, em tempos em que falar era um privilégio, as pessoas eram mais ativas, mesmo num curso de rio diferente ia-se contra a corrente. Os tempos são outros, somos filhos/netos de tempos complicados, sabemos tanto, fazemos tão pouco, tampouco nos importamos do pouco que se faz, e seguindo assim a roda viva nos esmaga, não porque é inevitável, nem digo que não seja, mas muito porque pouco se tenta.
É duro ver as pessoas abaixando olhos, olhando pro chão, juntando as mãos e dizendo "amém", diante de situações em que a roda viva impera... esperar o primeiro a levantar os olhos e cerrar as mãos é fácil, bravo seria não esperar por ninguém, pois "[...] quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."**, não foge e nem sai derrotado sem nem ao menos ter jogado, ter lutado.

"[...]Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião..."*



* Chico Buarque
** Geraldo Vandré

segunda-feira, 29 de março de 2010

Máquina do Tempo

Ah... ah se eu pudesse voltar no tempo... voltar àqueles dias em que tudo era alegria, em que as aquarelas do meu dia pintavam quadros impressionistas, sem nexo, e eu caminhava como anexo, anexo a tudo isso. Dias que não me preocupava em reagir, quem sabe apagar e corrigir... dias que pintar o sete não era mais do que bagunçar uma partida de xadrez, ou destemperar um molho inglês...
Hoje eu acordei vivendo no passado, em dias que eu era muito menos, mas ainda creio que eu era mais... muito mais... me desencontrei de mim... me perdi num ônibus, me perdi numa estrada... ah... eu queria voltar, voltar pro dia Xis, do mês Xis, do ano Xis... era tudo mais simples.
Pode até ser que eu tivesse menos companhia, mas acho que eu me tinha mais. Ah... ah se eu pudesse voltar no tempo... não que eu fosse feliz e não soubesse... mas quem sabe os caminhos tomados fossem mais experimentados, não acho que mudaria as decisões... só acho que perderia as minhas indecisões. Sinto falta, falta de mim, ou melhor de um pedaço que tiraram e esqueceram de devolver, ou quem sabe perdi por falta de atenção por tanto chão que percorri.


"Se eu soubesse antes o que sei agora erraria tudo exatamente igual..."
Humberto Gessinger

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sodoma e Gomorra


Pra quem não conhece a Bíblia [meu caso, partes que me vieram ao interesse, como essa] Sodoma e Gomorra são duas cidades destruídas por Deus, sendo a justificativa os atos cruéis, imorais, hedonistas presumo, de seus habitantes.
Verdadeira fúria divina? Verdadeira omissão humana? Não conheci Sodoma, muito menos Gomorra, mas não creio que sejam muito diferentes das nossas cidades, a diferença, é que ou tudo ficou muito normal, ou muito banal.
...
Amsterdã, Nova Orleans, Genebra, Rio de Janeiro.
...
Pessoas diferentes, atos semelhantes? Pessoas iguais, atos diferentes? Não... só pessoas, boas ou más, puras ou devassas, simples ou complexas, novamente não, só pessoas. O caráter não se define por quem ela é, nem pelo que ela faz - o que define então? - nada define, a vida e os erros moldam, mas continuam a ser pessoas. Corrompidas? Não... só pessoas, que pregam sua falsa moral, ou sua imoralidade, ninguém se corrompe, se é e se revela, vive-se em Sodoma e Gomorra, mas agora quem escreve o livro pra no futuro lerem? Pois tudo é tão normal, a parte do humano no ser é quem garante tudo que fazemos, justificar pra quê? São só pessoas, e enquanto presas a essa condição forem, nada se justifica, nada se entende, assistimos, com direito a vaiar ou aplaudir, plateia e palco ao mesmo tempo.
No fim, Sodoma e Gomorra.




PS: Não me atrevo a falar de religião, sou pouco religioso, só uma pequena lembrança.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Er...?

"Puxa! Puxa! Como tudo está tão estranho hoje! E ontem as coisas estavam tão normais! O que será que mudou à noite? Deixe-me ver: eu era a mesma quando acordei de manhã? Tenho a impressão de ter me sentido um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima questão é 'Quem sou eu?" Ah! está é a grande confusão!" (Lewis Caroll - Alice in Wonderland)

Isso foi o que disse Alice [sim, essa Alice mesmo] quando percebeu que depois de ter entrado na toca do coelho, tudo ficou meio diferente do que ela estava acostumada... Mas acima de toda a estranheza do que acontecia, havia o estranhamento de quem ela era.
E quem é você? Quem sou eu? Quem somos nós?
Eu não sei quem você, ou eu, ou nós somos, mas sei que a terceira pessoa do plural deve ser levada em consideração tanto quanto a primeira do singular. Todos os dias são diferentes, acontecem fatos que não esperamos, o torna mais surpreendente, mais inusitado, mais sofrido quem sabe... Mas a nossa estranheza de cada dias nos dai hoje, não pode afetar as 'não-estranhezas' do resto que compõe a terceira pessoa do plural.
No mais digo que... digo que...

Bom, um texto que se baseia em Alice, só pode ser non-sense, então pode parar de procurar 'sense' no texto, pois nem de "quem somos?" ele fala, muito menos de quão estranho os nossos dias são, eu estou estranho, logo, o texto me é estranho, e está tudo tão estranho hoje, que nem me preocupo se eu sou o mesmo de ontem, e serei o mesmo amanhã, sendo o mesmo de agora, já me basta.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Por que você persiste?

"[...]
Agente Smith: Por que, Sr. Anderson, por que, por quê? Por que você faz isso? Por quê? Por que se levantar? Por que continuar lutando? Você acredita estar lutando por algo, por mais do que sua sobrevivência? Seria liberdade? Ou verdade? Talvez paz? Poderia ser por amor? Ilusões, Sr. Anderson, caprichos da percepção, construções temporárias de um intelecto humano débil tentando desesperadamente justificar uma existência que é sem significado ou propósito. E tudo isso tão artificial quanto a matrix mesma, embora, somente uma mente humana poderia criar algo tão insípido quanto amor. Você deve ser capaz de ver isso, Sr. Anderson, você deve saber isso agora, você não pode vencer. Não tem sentido continuar lutando. Por que, Sr. Anderson, por que, por que você persiste?*"


Poderia falar de escolhas, poderia falar de sentimentos, poderia falar do sentimento que mais se tenta explicar, mas eu escolho falar de ...
Seria a mente humana débil e que só possui o objetivo de explicar o porque de existir, quando não se tem "porque" algum para se existir? É realmente assim tão sem sentido procurar razões para se viver, para se amar, odiar, ignorar? O ser humano desde sua origem luta por algo, por comida, por propriedades, por suas crenças, por suas ideias, mas seriam todas essas lutas apenas desvios ou denominações diferentes para dizer que realmente a luta se limita à sobrevivência?
A humanidade não tem pensamentos simplistas, pois o simples não atrai, não reluz, posso estar enganado, mas a humanidade luta contra si e contra tudo, pode ser que sejam caminhos que levem para o mesmo fim, viver ou não [sobreviver]. Mas creio que somos mais do que isso, que nossas raivas, revoltas, lutas, tenham um propósito maior. Observando-nos coletivamente pode ser que a ideia de sobreviver acima de tudo seja o objetivo central, porém, se cada um for observado individualmente... bem, a história está sempre nos contando de pessoas que se sacrificaram pelo bem maior, e nem todas porque seguiam certa ideologia, mas porque acreditavam nisso, tinham esperança de que seus atos melhorassem o mundo, e isso me basta pra crer que há sentido no que fazemos.



"*[...]Neo: Porque eu escolho persistir."

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Tempo

"(...)Bom dia.

E apagou o lampião.
Em seguida enxugou a fronte num lenço de quadrinhos vermelhos.

- Eu executo uma tarefa terrível. Antigamente era razoável. Apagava de manhã e acendia à noite. Tinha o resto do dia para descansar e o resto da noite para dormir…
- E depois disso, mudou o regulamento?
- O regulamento não mudou, disse o acendedor. Aí é que está o drama! O planeta de ano em ano gira mais depressa, e o regulamento não muda! (...)"
(Antoine de Saint-Exupéry)

Excerto de "O Pequeno Príncipe", fala sobre a passagem do tempo no pequeno planeta do "acendedor de lampião". Em destaque uma frase que me chama sempre atenção todas às vezes que releio o livro. O planeta gira mais depressa a cada ano... de certa forma lembra o nosso, não que o nosso gire mais depressa, pode ser que isso tenha alterado em alguns milésimos de segundo ao longo dos milhões de anos passados, mas os dias têm ficado mais rápidos quando se observa o quanto do nosso tempo é tomado.
O tempo é tanto vítima quanto algoz, pra cada um ele tem um predicado diferenciado, "tenho todo o tempo do mundo", creio que não, a vida passa diante de nossos olhos de tal forma, que quando nos damos conta já vivemos muito dela, e pra muitas pessoas essa questão de ter vivido é meramente biológica, porque viver realmente, é aproveitar e gozar da vida. Às vezes é realmente complicado aproveitar cada dia como o último, como dizem as pessoas, mas se aproveitarmos bem uma quantidade boa deles, já terá sido suficiente. Não sei qual crença, qual deus, qual rito você professa, se você crê em mais de uma vida, ou se crê em uma única, porque arriscar a ter a notícia contrária, ao fim de tudo, sem ter feito aquilo que você tem vontade?
O lampião apaga todos os dias, e se reacende todos os dias, aproveitemos enquanto podemos vê-lo se reacender.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Devaneios...

Quanto vale a vida de uma pessoa? Até que ponto uma pessoa pode chegar a fazer pra compensar um erro cometido? De que forma a consciência pode afetar alguém a ponto dela querer de todas as formas possíveis reparar um dano, uma perda?
Às vezes quando cometemos um deslize, ou mais que isso, um erro incomensurável, tentamos de todas as formas [pelo menos aquelas pessoas com um mínimo de decência] reparar, consertar de alguma forma o cometido.
Diante de situações desalentadoras, tristes, melancólicas as pessoas agem de maneiras que nem elas mesmas entendem, ou reconhecem de si, ninguém está pronto pra se ver dentro de uma perspectiva de alguém em sofrimento, e muito menos se ver na perspectiva de quem é o alento dessa pessoa que sofre.
Duas ideias não tão parecidas, mas que se complementam no que escrevo, o que se pode fazer pra compensar um erro? Seja qual for a proporção deste. O que fazer quando tudo em volta parece desmoronar, o chão se abrindo debaixo dos pés?
Creio que ninguém tem a resposta pra nenhuma das perguntas feitas aqui, nem eu espero que alguém seja capaz de responder, numa situação dessas, a experiência só denota sofrimento. É doloroso ver o semblante das pessoas quando elas passam por situações nada agradáveis, as palavras mais próximas que podem descrever o que é esse sentimento, é algo como dizer que há um buraco, um vazio dentro, é surreal pensar que existem sofrimentos menores ou maiores, todos sofrem, de uma forma ou de outra, a intensidade depende de como o todo se afeta.
A realidade nos faz enxergar que sonhar vale mais a pena.



Tentei por as ideias em ordem, não se ordenaram da melhor forma possível, mas a essência tá aí.
Livre para identificações e interpretações...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Um ano

Um ano entre a dúvida e a incerteza
Ou seja, nada absoluto, nenhuma clareza.

Discussões, sobre mim, sobre você, sobre nós, uma diversão, uma distração, mais do que uma reflexão, dando valor a DÚVIDA, e a sua PUREZA, a PREÇO de que? De banana? Não, de graça, às vezes sem graça, mas um texto ou outro pra dizer algo que eu queria expressar e não podia, ou pra analisar uma situação que tenha surgido de alguém à volta, ou todos em volta.
Desabafo ou reflexão, escrita, escrita pra que não se perca, pra que EU não me esqueça, porque eu penso, existo, me descontraio, evito ser ignorante, e aprendo com a minha, mudo, busco ser memória, vejo os dias passando, aprendo, desabafo, considero tudo uma mentira, ou tudo uma verdade, ou tudo quem sabe? Me enlouqueço... me perco nas palavras, escolho o que acho mais apropriado, discuto com meus amigos, não raras vezes perco a inspiração, sinto saudade das letras, das pessoas e aqui venho buscá-las, peço desculpas a elas... tenho ideias, fico sem ideias, sem o que dizer ... sinto medo, me sinto só, ou perto de todos, quero o melhor, não me iludo, vivo sem pensar no "não estar vivo", procuro do mar o meu farol, me descrevo, tento a sorte [2].
E lá se vai um ano...

domingo, 15 de novembro de 2009

MEGA-SENA [2]

Arriscar ou não se arriscar?

Eis a questão... [Shakespeare que me desculpe, fazer uma pequena alusão de Hamlet pra introduzir o assunto.] Conversando com um amigo dias atrás veio esse pensamento, o que fazer? Arriscar ou não? Bom, seguindo a idéia de jogar pra poder algo ganhar, acho que arriscar é sempre a melhor opção.

- A porta do inferno tu abriu, vai ficar agora só limpando os pés?

Um pouco diferente do que arriscar, é arriscar um pouco e depois esperar, ou então parar com medo de o resultado não ser o esperado... Já abriu a porta? Agora entra!



PS: Não busquem sentindo, nem eu busquei, escrevi sem pensar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MEGA-SENA


Cada dia é um jogo, cada semana uma aposta, cada mês um sorteio, cada ano um resultado. A maior parte de nossos dias é um risco, uma loteria, não se pode prever o que virá adiante, o máximo é tentar adiantar as nossas apostas, quais números serão marcados, e daí apostar nesse jogo, mas os números sorteados não somos nós que escolhemos. No entanto, se não jogarmos nada ganhamos, também nada perdemos... de que adianta não progredir de alguma forma? Se seu resultado for favorável, mantenha os pés no chão, qualquer elevação pode levar a uma queda, e a depender da altura a queda é mais danosa. Se caso não for, não há razão para desistir do jogo, complicado é reclamar que nada dá certo, que nunca vence o jogo, sem ao menos tentar, tentar sempre.